quarta-feira, 14 de maio de 2008

Cosa Che?


Não podendo mais calar a minha indignação contra as campanhas revisionistas que querem fazer do Grande Comandante algo que ele não foi, venho aqui deixar o meu desprezo por aqueles que invocam factos, essas artimanhas do Capitalismo, para o condenar. Todos os revisionismos nos provam que os factos nada são senão mais palavras, portanto não me falem deles! Rousseau tinha razão!
São as palavras que fazem a Revolução. Mas não as dos serventuários do Imperialismo, essas não! Só as dos líderes revolucionários é que contam!
Por isso não quero declarações mentirosas, que não as do Comandante, esse grande jurista que proclamou ser
a prova um detalhe burguês arcaico; que os por si capitaneados executavam por convicção revolucionária. Mas claro que a força da burocracia é muito grande e a Reacção tentará sempre manter o sistema antigo.
Pretendo render homenagem ao tribuno que, em Nova Iorque, na sede desse fórum exemplar que dá pelo nome de ONU, arrancou um imenso aplauso ao dizer que os seus
executavam, sim! E que continuariam a executar pelo tempo que fosse necessário. Que se tratava de uma guerra de morte contra os inimigos da Revolução.
Também queria lembrar o grande construtor de um sistema internacional de segurança que, em entrevista de 1962 ao Daily Worker de Londres, lamentou as cedências de Moscovo, com a doutrina da Coexistência Pacífica, advogando o único remédio eficaz contra os inimigos da Revolução, textualmente, o extermínio nuclear.
E não posso deixar de louvar os membros do nosso Bloco de Esquerda, que colocaram de parte as suas tendências manifestas, como a luta contra a homofobia e a heroicização sublevante das vítimas da SIDA, para homenagearem esse grande clínico que esteve por detrás da criação de campos de concentração cubanos onde, a par dos contra-revolucionários, se internavam os homossexuais e os doentes com certas maleitas venéreas. É só ir à net e ver as homenagens que destacados militantes desse partido, corajosamente, dedicam ao colosso da luta dos trabalhadores, nascido a 14 de Maio.
Por isso não cairei no burguesismo de lhe tirar o chapéu.

6 comentários:

cristina ribeiro disse...

:) :) :)
Perante esta declaração de fé, só me resta protestar a minha decepção ao não ler no fim do texto, tão revolucionária mas justamente laudatório, o grito que se impõe: "La Revolucion Pasará !"
Muy bien!
:) :) :)
Beijo burguês, apesar de tudo

O Réprobo disse...

Querida Cristina, espero que com a mesma sorte profética que o pasionariano "no pasaran!".

Tem a Cristina mandado um desses ao Comandante e ele voltava em menos de um fósforo às origens exploradoras em que nasceu.
Outro, tão proletário como o postal

Once In a While disse...

Fina ironia Caro Paulo .. algo que considero perigoso a menos que se trate desta forma.
Devolvo-lhe a Mestria que deixou lá pelo meu canto ;) perfeitamente justificada.

O Réprobo disse...

Obrigado, Querida Once, mas fiquei na dúvida se considera perigosa a ironia ou o macabro celebrado!
Não compare a minha torturada prosa à Verve Celestial a que nos acostumou.
Beijunho

Once In a While disse...

por norma Caro Paulo considero a ironia algo perigoso. A menos que seja inteligentemente "gerida", era ao que me referia. :)

Quanto ao "Celebrado" Meu Amigo não foi mais perigoso que tantos que ainda hoje actuam em busca de celebração.
À custa dos mesmissimos horrores.

O Réprobo disse...

Penso que percebo, Querida Once, a convocação da Realidade, muito mais totalitário meio expressivo do que a simples opinião como tal assumida, pode ser mais confrangedora para quem é alvo...
Neste caso porém, como as citações falam por elas e, por si só, excluem espíritos bem formados, o traço irónico é capaz de funcionar como uma forma menos cruel, embora não menos firme de demarcação.
Obrigado por me excepcionar.
Beijinho