quarta-feira, 28 de maio de 2008

Terramotos e Cicatrizações

Quem não recorda o exemplo Romano de Marco Cúrcio? Aquele que, perante um horrendo abalo de terra que abrira fenda descomunal na zona do Forum, acrescido do vaticínio dos áugures segundo o qual as terras só voltariam a fechar quando a Cidade lá deitasse o seu maior tesouro, viu este concretizado no valor das armas e corporizado em si, pelo que se precipitou no abismo, operando-se, de imediato, o efeito pretendido.
Na China de hoje procede-se ao contrário. Deixa-se que os pobres pais atingidos pela desgraça de filho morto ou incapacitado pelo sismo mastodôntico que se conhece venham a poder ter mais um. Tentativa de contrapartida da dor, dirão uns, cálculo da melhor maneira de entreter, estagnando vontades insurrectas, desconfiarão outros. Mas a ironia vingadora da questão está em ser o tremor do solo o tímido veículo corrector de um abismo muitíssimo maior - o da limitação oficial da procriação, afinal a paroxística expressão do totalitarismo.

4 comentários:

Carlos Portugal disse...

Mas quem teima em combater a Criação Divina senão os esbirros de Lúcifer?

Creio que no caso citado é tudo bem claro, como o Caríssimo Amigo muito bem escreveu, queiram ou não os novos ateus.

Recordo-me de uma frase de um dos filmes do Indiana Jones: «They are meddling with forces they can't possibly comprehend».

Pobres é das vítimas, do totalitarismo e da resposta da Natureza a essa mesma violação das Leis Divinas.

Abraço.

O Réprobo disse...

Meu Caro Carlos Portugal,
está com a razão, inteirinha!
A desumanização que nos parece a nós, do lado de cá, levar a dignidade humana a baixos isuportáveis deve orientar-nos, antes do mais, para a Compaixão para com as vítimas.
Abraço

ana v. disse...

Por associação de ideias, este seu post lembrou-me uma reflexão que há muito me persegue. Vou postá-la em breve.
Bjo

O Réprobo disse...

Cá nos deixa a Ana em pulgas! Vamos a isso!
Beijinho