sexta-feira, 2 de maio de 2008

Bicho Careta

A Albarda de Pierre SubleyrasPara O Polaco, tatuador consagrado, quem não marque indelevelmente a pele é careta. Pois bem, cá venho confessar-me como tal. Em bom rigor, não tenho uma animosidade de princípio contra a decoração do corpo. Mas ficou-me, desde muito cedo, gravado no espírito o embaraço de um sábio de romance de Júlio Verne, creio que de «Os Filhos do Capitão Grant», o qual fora tatuado da cabeça aos pés pelos indígenas Sul-Americanos com quem passara uma temporada.
Sério, sério, não é a antiga ligação à criminalidade, como a soldados e marinheiros à deriva que me degosta. É o logro de procurar a liberdade numa transformação que, porque dificilmente apagável, vem tornar-se a negação dela, mesmo que inexista arrependimento, por coarctar a reversibilidade. No fim de contas é uma tentativa de vidas vazias se gravarem uma identidade, como a marinhagem e soldadesca saudosas da terra, da moça e da mãe, ou ciosas da camaradagem da unidade ou embarcação.
Enfeitar (em todos os sentidos) o corpo sempre beneficiou da aura transgressora, como na pintura reproduzida, em que o tema do Cornudo é glosado, ao exibir-se um pintor desenhando um asno junto do sexo da amante, com a dupla significação da pujança sexual e da animalidade de vistas curtas alusiva ao marido enganado. Mas estas quasi folclóricas exteriorizações tinham a característica de duplamente se dissolverem - na pele e no tempo.
Ai, costumes!

10 comentários:

Anónimo disse...

Este artigo fez-me lembrar, vagamente, o filme "Silence of the lambs".

Anónimo disse...

O blog do Carapau inicia-se!

E assim mais um blog junta-se à galáxia dos Blogs. Esperemos q mais este grão de poeira venha a causar mais do que alguns espirros…

http://carapau.wordpress.com

Once In a While disse...

(risos) .. Caro Amigo, tenho uma teoria muito simples em relação a isto:
Dói? então não contem comigo!

fugidia disse...

:-)
Mais uma careta; e vão três...

(gostei da imagem; lembrei-me dos tempos da fabiana...) :-p

O Réprobo disse...

Anónimo das 13.34H,
menos sangrento, espera-se!

O Réprobo disse...

Anónimo dqas 14.07,
felicidades. Não deve haver perigo, espirrar parece mais a área de acção da pimenta...

O Réprobo disse...

Querida Once,
penso que os entusiastas desta decoração pensam esse desonforto como uma prova iniciática que há a transpor.
Mas se houvesse um bocadinho mais de razão para lhe dar, eu ia a correr buscá-la para o poder fazer.
Beijinho

O Réprobo disse...

Querida Fugidia,
não ponha isso no Passado! Ela é uma miúda do nosso tempo e que lhe associámos está sempre na ordem do dia. Mas nada de me confundir com o pintor retratado, viu?
Beijinho

fugidia disse...

Ora essa, caro Réprobo, porque não? :-|
Parece-me um rapaz meticuloso, atento, concentrado no seu trabalho... diria mesmo que aparenta um ar de profissional!
;-)

O Réprobo disse...

Mas se eu sou é um (muito) amador! E, Querida Fugidia, gostaria que a minha performance nestas redondezas se revelasse marcante, mas noutro sentido.
Beijinho