O Poder Assustado
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Em 1803, nos primeiros tempos de Bonaparte, um "tribunal" que do Terror havia conservado a condenação fácil preparava-se para cortar radicalmente a barba e anexos a um prisioneiro Monárquico mais. Então, o Defensor saiu-se com esta tirada:
Desafortunado, não há necessidade de te defender: leio antecipadamente a tua sentença de morte no olhar dos teus juízes. Amanhã tu deverás morrer, amanhã te acompanharei ao local do suplício. Apanharei a tua cabeça escorrendo sangue e irei apresentá-la ao Primeiro-Cônsul, dizendo-lhe: Aqui está a cabeça do filho do Exér... do filho único de um velho guerreiro que te salvou a vida numa batalha!
Era completamente falso, mas o medinho do novo senhor absoluto era tanto que, contra hábitos arraigados, aquele colectivo absolveu o condenado.
Os tempos são outros e com menos sangue político entre adultos, que os adversários já foram suficientemente enfraquecidos por sangrias pretéritas. Mas, menos sanguinolenta, a injustiça continua. Bom será que nos que a aplicam o temor também se instale. O actual desgoverno quer introduzir alterações que em nada melhorarão os resultados educativos e aparecem como acintosas no sentido de afrontar gratuitamente uma classe docente que quer domesticar ainda mais. Gostaria que se confirmasse a adesão à manifestação de hoje, pois daí pode brotar o receio maior nas cabecinhas dos políticos partidocráticos - o da perda eleitoral.
Todos à Manif.!
8 comentários:
Caro Réprobo,
confesso que a sua "todos à manif!" me deixou num misto de surpresa e de sorriso nos lábios: ainda não lhe conhecia esta faceta de "Mafaldinha, a contestatária"...
:-)
Todos! Ainda mais agora que a situação dos Professores parece não ter solução à vista.
Querida Fugidia,
foi uma maldadinha, ao aproximar um slogan publicitário de um banco de uma demonstração que se quer de outras massas, como a indignação Salemática também deixa claro.
Dito o que a Mafaldinha era a grande influência de uma Pessoa que foi muito importante na minha vida.
Beijinhos
Parece que os céus o ouviram, meu amigo: a adesão superou as expectativas, ao que sei. A ministra conseguiu unir uma classe, o que é um feito notável neste país de individualistas ferrenhos.
Nem mais, Caríssimo Amigo: cerca de 100.000 docentes, dois terços de todos os professores portugueses, e com população a apoiá-los.
Não foi a manifestação da indignação dos professores contra uma política (des)educativa, mas sim a primeira grande mostra de revolta de um País contra uma corja que o está a destruir.
Esta gentalha politiqueira, laica, republicana e socialista ainda não percebeu que governar (?) contra um País é suicídio. E que os tempos de La Terreur já são idos, e que, a voltarem, é precisamente contra eles.
O País começa a acordar da letargia induzida por doses maciças de desinformação, mistificação, mensagens subliminares e «gestão da mentira».
Não foi a «sinistra ministra» que conseguiu unir uma classe: foi a desgovernação sistémica desta corja que conseguiu pôr o País em guerra - contra ela. E não «semearam ventos», semearam tufões e tsunamis.
Estejamos atentos, Caríssimo Paulo, pois estes meses até aos idos de Setembro vão ser conturbados...
Fui professor, sou filho de professores, e sou pai e encarregado de educação. Tudo o que esta gentalha desgovernativa está a fazer é a destruição completa do Ensino em Portugal, tentando transformá-lo num absurdo controlado politicamente e formador de mentecaptos fáceis de controlar.
Força, Portugal!
Grande abraço e calorosas saudações monárquicas.
Por aqui fala-se "de cor"...
Não percebem nada do que realmente está em jogo.
O PCP instrumentalizou os Professores. E com o apoio da comunicação social, lançou uma "cortina de fumo".
Desde o Salazarismo que os comunistas controlam o Ministério da Educação. E com Viga Simão esse controlo foi total.
Agora paulatinamente vêm a perder esse controlo, não graças a governos do PSD ou PSD-CDS, mas graças ao PS.
Se não percebem do que se está a passar, não falem!
É melhor que por aqui se continue a dar música às Damas. Que levam cada baile!...
«Quem te manda sapateiro tocar rabecão!!!»
Querida Ana,
é evidente que o cansaço face à arbitrariedade tinha de começar a dar frutos. A filozofia que elimina o princípio da Autoridade tem de trazer sempre maus resultados, seja na Polícia ou classe docente, onde antes da Milú o PS era maioritário, com a infâmia de avaliações participadas por alunos e pais, em vez de serem cometidas a um serviço próprio, deixando o sistema não já à mercê de pressões excepcionais, antes as transformando em regra.
Mas com esta prova de força o R da reprovação com que os Profs. classificaram a Ministra ou dá Remodelação ou Recuo.
Beijinho
Meu Caro Carlos Portugal,
claro que é muito mais do que uma luta sindical. quando acusam a luta dos Professores de "corporativa" eu simpatizo logo com ela... porque sou corporativista! E o Corporativismo não é a luta pelo seu, como os plumtivos do dia querem fazer acreditar, é a defesa da especificidade profissional em consonância com o sentimento da nação. Do que isto é um pouco.
O Sr. Sócrates deve estar a verter muita lágrima por não ter outra presidência europeia para distrair as atenções...
Abraço
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