quarta-feira, 23 de abril de 2008

Declaração Bombástica

Hillary, vencedora na Pensilvânia, tinha pouco antes declarado que, presumivelmente no caso de um ataque persa, uma administração sua usaria o poder nuclear para destruir completamente o Irão. Corresponde este programa de Política de Defesa a uma ultra-desproporcionalidade, um salto qualitativo, em relação à doutrina do Equilíbrio do Terror em que crescemos. Ali ameaçava-se com a liquidação não-convencional de alvos dolorosos, porque áreas populosas, mas nunca se chegou ao extremo de proclamar a destruição completa de um grande país.
Quem lembre a eleição de uma corista de Las Vegas em 1957 como Miss Bomba Atómica, como o folclore de quase a vestirem com uma representação do cogumelo explosivo, poderá achar que o infantilismo destes passatempos, abstraindo da dor das vítimas, pode correlacionar-se com a ligeireza das opções políticas das Americanas. Embora tenham sido homens a lançar por duas vezes os tenebrosos engenhos, como se sabe.
Dentro deste pavor seria no entanto divertido ver muito filoayatollah nostálgico da comparativa moderação do Presidente Bush...

5 comentários:

av disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
av disse...

On aura tout vu, Paulo...
Quem diria que viria alguém fazer parecer Bush "moderado"? É por essas e por outras que não gosto da Hillary. Esse tipo de declarações por antecipação é bastante provocatório, e não vejo nenhuma necessidade de provocar fanáticos.
A coisa está cada vez melhor, nos States...
Beijinho

cristina ribeiro disse...

Estou convosco. Asnos, por um lado os que, não há muito tempo, ameaçaram fazer desaparecer do mapa um país; outros, porque replicam no mesmíssimo tom, acirrando ânimos que, já por si, não precisam que acendam o rastilho.
Beijos Ana e Paulo

O Réprobo disse...

Também é deste género muita da minha desconfiança face à Hillary, Querida Ana. Ela diz o que quer que ache que lhe dê votitos. Devem tê-la aconselhado a falar em voz grossa para fazer o adversário parecer fracanholas aos olhos de um eleitorado operário que não gosta de paninhos quentes e.. lá vai disto, sem medir as palavras.
Beijinho

O Réprobo disse...

Querida Cristina,
eu, no limite, até aceitaria uma ameaça tão radical, posta na mesa uma crise grave e urgente que ela tivesse de resolver, já no cargo. Agora inscrever um morticínio total e tecnológico num programa eleitoral não lembra ao Diabo. Ou talvez só a ele e a H.
Beijo