sexta-feira, 18 de abril de 2008

Espírito Demissão

O Dr. Menezes viu na saída à inglesa a maior chance de êxito. Não se pode culpar a confusão, dado que as palavras até são parecidas. Mas parece pouco caridoso culpá-lo de achar má a sabotagem interna que teve por boa, quando por si a outros assestada, porque a audibilidade das contestações à sua pessoa foi, de facto, incomensuravelmente maior.
Numa óptica tristemente integrada no sistema a conclusão é de que quem chegue com fama de caceteiro faz fraca figura ao tentar suavizar-se. Tristemente rendidos a uma pacóvia fatalidade partidocrática, os Portugueses estão, no entanto, cansados de ver as caras das intrigas de bastidores oferecerem-se para a disputa do poder. Só assim se compreende a força emergente do Dr. Aguiar Branco, que até tenho por relativamente estimável. Ser um desconhecido para grande parte do País dá-lhe alguma aura de esperança, mais que não seja a da curiosidade e a vaga fé de que não seja igual aos outros. E se o P-M continua pelos maus caminhos que leva, pode juntar-lhe a da tentação de mudar de um anyone but Sócrates.
Quanto àquele que atirou com a toalha, viu-se-lhe aplicado o Princípio de Peter. Autarca largamente considerado em Gaia, encontrou o seu nível de incompetência na chefia da Oposição. O próprio não terá ensaiado esta andança com a maior das convicções. À cautela, não renunciou ao território e cargo em que o compreendem, podendo para lá voltar e consolar-se.
O mal, meus Amigos, não está só nos homens, mas num regime que alicerça o acesso ao poder nas ambições pessoais e na carreirice ou nos despiques. Só a mais radical das alterações, que obviasse à inacreditável arrogância que se encontra numa candidatura poderá regenerar a nossa vida pública. E essa passa por cada um fazer o melhor que pode e sabe na sua esfera profissional, familiar ou opinativa, só exercendo o poder quando chamado por uma instância superior, Rei, Forças Armadas, o que seja.
Até lá permanece a estrutura da adulação dos eleitores, da subserviência perante outras massas, as que financiam; e o triste espectáculo das peixeiradas e dos jogos de bastidores regurgitantes das traiçõezinhas que corroem.
Até quando?

13 comentários:

cristina ribeiro disse...

É. parece que Portugal não consegue mesmo sair do beco onde entrou...

O Réprobo disse...

Os partidos, Querida Cristina!
Raios os partam, ainda mais!
Beijo

Once In a While disse...

Os partidos, Caro Paulo, nem mais. Conseguem partir em cacos e rasgar em mil pedaços as esperanças que que colocamos numa pequena cruz, num simples papel ..

av disse...

Começo a dar-lhe razão, Paulo...
Um rei que pusesse ordem nisto e devolvesse alguma dignidade a este pobre país? Talvez... mas quem?

O Réprobo disse...

Querida Once,
ainda se essa cruz encimasse a pedra tumular que cobrisse de vez a perda da dignidade que é a duluição pessoal num grupo ídeologizado ávido de poder...
Mas qual, trata-se da sepultura da confiança de todos os que acreditaram na sucsistência de uma reninisência de serviço público.
Beijinho

O Réprobo disse...

Querida Ana,
uma das insofismáveis superioridades da Monarquia é tornar inútil essa questão.
Beijinho

av disse...

Pois... o problema é que é mesmo essa insofismável impossiblidade de escolha que me encanita, meu amigo!
Um beijinho

O Réprobo disse...

Queridíssima Amiga,
não me pouparei a esforços para apagar esse "ni" por engano interposto no verbo com que definiu os Seus sentimentos.
Beijinho

Anónimo disse...

O PSD parece estar interessado em pregar o último prego no caixão do sistema partidocrático em Portugal...Assim o consigam!

Ab

O Réprobo disse...

Caro TSantos(?),
Amen, parece o caso de um co-piloto suicida que não se importa de dar o passo fatal mesmo com a responsabilidade de poder ter de pegar nos comandos do avião.
Esperemos é que só a tripulação seja remodelada, que o aparelho/país não caia.
Abraço

tsantos disse...

Oops! Lá me enganei eu outra vez na identificação do post...

av disse...

Duvido de que o consiga... mas lá que tem graça, ninguém o pode negar, Paulo!
Beijinho

O Réprobo disse...

Querida Ana,
só não digo que, fazendo-A rir, está meio caminho andado, por não querer prejudicar a táctica1 Oooops!
Retiro o que disse.
Bj.