sábado, 12 de abril de 2008

Deuses e Demónios do Tibete

O Pálácio-templo de Potala, em Lhassa


É uma grande fonte de satisfação para mim saber que um Líder que admiro na resistência calma à agressão e à desgraça. o Dalai-Lama, perfilha precisamente o ponto de vista que defendi nesta página, de se pressionar a China a deixar de barbaramente tentar destruir o Tibete, mas sem para tanto utilizar o boicote olímpico como meio. Esta diferença aparente de postura, face à de monges lamaístas e simpatizantes ocidentais mais dalailamaístas que o Próprio, não é novidade. O famoso explorador e académico William Montgomery, que, em 1922, andou por aqueles Cumes Asiáticos, já tinha constatado a amabilidade do Povo e a simpatia e abertura dos Dalai e Tashi-Lamas de então, contrapostas ao carácter belicoso de uma classe monacal mais baixa, sempre porfiando em acirrar o ódio ao Estrangeiro, como hoje, em defender a afrontação menos subtil.
Quererá isto dizer que a China sai pouco culpada deste processo protestatário? Nem pensar nisso é bom, Pequim tentou, (in)justamente diabolizar o Líder Espiritual Tibetano, precisamente o seu opositor intransigentemente pacífico. Porque sabe que é o mais perigoso, a prazo, para si.


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8 comentários:

Júlia Moura Lopes disse...

é verdade, Paulo.

Tal qual como na religião católica e noutras, cometem-se e cometeram-se em nome da fé e de Deus que o pr´prio Deus, estou certa refutaria...

beijinho e bom fim de semana

fugidia disse...

A paz e a violência são duas faces da mesma moeda, mas apenas no universo humano.
A violência (física, mas também a verbal - que infelizmente também existe na blogosfera) reflecte a nossa incapacidade em saber lidar com os nossos próprios defeitos. E a violência acaba sempre por despertar o ódio por nós mesmos...
Felizmente que vamos tendo, ao longo da nossa história, exemplos de quem afirma, e procura demonstrar com os seus actos, que pode haver paz sem violência.

Hoje sou eu que pergunto: então, querido Réprobo, a preguiçar? ;-)
Beijinho.

av disse...

É por isso que figuras como Gandhi e o Dalai Lama conseguem sempre o respeito do mundo. Não respondendo à violência com mais violência, deixam os opositores desarmados e sem possibilidade de nova jogada. Tudo acaba ali, sempre, num sorriso pacífico e tolerante, por maior que seja a ofensa. E é por isso também que são tão temidos estes líderes raros, que se transformam quase sempre em mártires. Os cristãos têm Jesus Cristo, um maravilhoso exemplo disso.
Um beijinho

O Réprobo disse...

Querida Júlia,
e o curioso, no caso Tibetano, segundo o relato de Montgomery, é que os monges menos categorizados e mais assanhados estavam em desobediência franca quer às orientações da Hierarquia, chamemos-lhe assim, quer à natural expressão popular...
Bj.

O Réprobo disse...

Querida Fugidia, claro que, com todo o inerente horror, eu respeito o combate em guerra aberta. Porém,na situação daquele martirizado País e considerando a espiritualidade ancestral das gentes, como o tipo de agressão, com inundações étnicas de hordas invasoras e esterilização forçada das Mulheres locais, o caminho tem de ser outro, já que contra os números e brutalidade do Exército de Pequim não há como levar a palma. E mesmo que houvesse, seria a negação de uma filosofia que levou séculos a edificar.

Preguiçar? Não estão cá os quatro postais da ordem? Posso pôr mais um, curtinho,mas terá de colaborar...
Beijinho

O Réprobo disse...

Querida Ana,
algumas vezes me ocorreu o paralelo com Ghandi, embora haja diferenças: aqui a religiosidade é uma estrutura do Poder exilado, enquanto que no Indiano, pese à dimensão que revelou, era mais cultural. Por outro lado, não vejo o Dalai-Lama a utilizar tácticas políticas que são a violência dos fracos, como a Greve Geral que Mohandas declarou. E, last but not the least, entre a Pequim Comunista e a Londres Imperial há uma diferença de escrúpulos, apesar dos pesares. Mas há paralelo, claro.
Beijinho

fugidia disse...

ò meu caro Réprogo,
falava da preguiça de andar por estas caixinhas de comentários :-)))

Colaborar? Hum... vou tentar, mas é um tema que me dá... comichão, o do último post...
:-)

O Réprobo disse...

O último só agora lá está, Querida Fugidia! E penso ser tema mais do Seu agrado...
Beijinho