terça-feira, 1 de abril de 2008

Embaixadas e Multidões

A Recepção do Embaixador Francês em Veneza, de CanalettoAo contrário do titular da pasta e dos próprios interessados, não vejo qualquer vantagem em que os embaixadores nomeados sejam sujeitos a audiência prévia, no Parlamento. Não é dito se virá a ser concedido o poder de rejeitar as nomeações, ou se a inovação passa apenas por uma conversa platónica, mas para o caso, é indiferente. Os deputados eleitos pelos partidos em Portugal não têm personalidade parlamentar própria, votam em rebanho conforme mandam o pastor e os cães, perdão, a direcção do grupo paralamentar. Nos Estados Unidos é diferente, cada senador é eleito pela sua pessoa, não está sujeito a disciplinas, vota consoante o seu parecer. E há uma razão, é a de os estados federados poderem, pela voz deles, exprimirem a concordância em se reverem neste ou naquele representante da Federação. Por isso só tem essas atribuições a câmara alta, não já a dos Representantes, a quem cabe a voz do povo, e não a dos 50 integrantes federais. Também estão sujeitos a idêntico nihil obstat os membros da Administração, coisa que não lembrou ao Diabo, nem sequer a um Sr. Sócrates travestido de diabrete, implementar por cá...
Se for avante, trará é uma diluição da responsabilidade da correcção das escolhas, aos olhos do cidadão distraído. Isto de envolver multidões na Diplomacia não aparece com a dignidade da do quadro. E a justificação de fazer porque os outros o fazem diz tudo.

2 comentários:

av disse...

Parece-me isto mais um tique da obsessão centralizadora deste governo, que ainda um dia vai levá-lo à perdição. Mas não por enquanto, que os portugueses aguentam muito.
Um beijinho

O Réprobo disse...

Eu vejo-o pela variante da desresponsabilização, Querida Ana. De cada vez que dê bota (desta feita sem proporcionar prazer!), estou mesmo a imaginar o Ministro Amado, com aquele ar dele - que nem é dos piores - a dizer, muito inseridamente,
"aliás, a pessoa em questão foi ouvida na assembleia da República, não tendo levantado objecções..."
Beijinho